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Como contratar um tosador: o que avaliar além do portfólio

Portfólio mostra acabamento, não mostra como o profissional trabalha. Como descrever a vaga, conduzir a entrevista, montar um teste prático justo e fazer uma proposta clara.

18 de agosto de 2026Como contratar8 min de leitura
Como contratar um tosador: o que avaliar além do portfólio

Encontrar um bom tosador para o pet shop parece simples quando o primeiro filtro é um portfólio bem produzido. Fotos de antes e depois ajudam a entender acabamento, simetria e variedade de cortes, mas mostram apenas uma parte do trabalho.

Na rotina, o profissional também precisa lidar com animais ansiosos, pelagens em condições diferentes, tutores com expectativas específicas, horários apertados e uma equipe que depende de comunicação clara. Por isso, uma contratação consistente não deve escolher apenas o resultado mais bonito da foto. Ela precisa avaliar como o tosador trabalha.

Antes de abrir a vaga, defina o trabalho de verdade

O primeiro passo é descrever a função com honestidade. “Tosador” pode significar atividades bem diferentes de um estabelecimento para outro. Em alguns lugares, o profissional atua principalmente com banho, secagem e escovação. Em outros, também executa tosa na máquina e na tesoura, atende cães de grande porte, recebe gatos ou trabalha integrado a uma clínica veterinária.

Essa diferença muda o perfil procurado, a remuneração e o tipo de teste que faz sentido. Também vale esclarecer desde o início quem conversa com o tutor, quem registra ocorrências, quais ferramentas ficam disponíveis, como funciona a escala e a quem o tosador recorre quando encontra uma situação fora da sua experiência.

Uma descrição mais útil seria: “Buscamos tosador para banho, secagem, escovação e tosa higiênica, com atendimento de cães de pequeno e médio porte. O profissional deverá registrar observações do atendimento, comunicar alterações percebidas na pele ou no comportamento e trabalhar em conjunto com a recepção e a equipe veterinária.”

Quanto mais específica for a vaga, menor a chance de contratar alguém excelente em uma rotina diferente da que o negócio precisa.

Como avaliar um portfólio sem parar nas fotos

O portfólio continua sendo importante. A questão é usá-lo como ponto de partida para uma conversa, e não como prova completa de competência.

Observe se há variedade de pelagens, portes e condições de pelo. Resultados muito parecidos podem mostrar especialização, mas também podem não revelar como o profissional reage diante de um animal com nós, pelo compactado, sensibilidade, idade avançada ou comportamento mais difícil. Consistência também importa: um bom resultado isolado diz menos do que um padrão de trabalho mantido ao longo do tempo.

Durante a entrevista, escolha algumas fotos e peça contexto. Pergunte como estava a pelagem, quanto tempo o atendimento levou, quais adaptações foram necessárias e o que o profissional faria de outra forma hoje. As respostas ajudam a separar uma execução consciente de uma simples seleção de imagens bonitas.

Também é importante entender o que foi feito pelo próprio candidato. Em alguns portfólios, o profissional aparece como responsável pelo atendimento, mas parte do serviço foi realizada por outra pessoa. Perguntar com naturalidade sobre essa divisão evita uma expectativa equivocada para os dois lados.

A entrevista deve explorar situações reais

Perguntas genéricas, como “quais são seus pontos fortes?”, raramente mostram como o tosador toma decisões. Uma entrevista melhor apresenta situações que fazem parte da rotina.

Você pode perguntar, por exemplo, como ele conduziria um cão assustado que começa a se debater durante a secagem; o que faria ao perceber uma alteração na pele; como comunicaria um atraso em uma agenda cheia; ou como responderia a um tutor que pede um corte incompatível com a condição da pelagem.

Preste atenção menos à resposta “certa” e mais ao raciocínio. O profissional demonstra que reconhece sinais de estresse? Sabe reduzir estímulos e pedir apoio? Entende quando deve interromper o procedimento? Consegue explicar limites ao tutor sem criar conflito? Essas atitudes têm relação direta com segurança, bem-estar e confiança no atendimento.

Uma boa resposta não precisa ser sofisticada. Ela precisa mostrar responsabilidade. Um tosador não deve diagnosticar nem tratar alterações clínicas por conta própria, mas precisa saber registrar o que observou e encaminhar a dúvida para o médico-veterinário quando houver essa estrutura na empresa.

Diferencie o que ele faz sozinho do que faz com apoio

Tempo de experiência, quantidade de cursos e número de fotos não contam toda a história. Na conversa, procure entender quais procedimentos o candidato executa com autonomia, em quais precisa de supervisão e com que tipos de animal já trabalhou.

Essa distinção é especialmente importante quando a vaga envolve gatos, cães de grande porte, animais idosos ou atendimentos em contexto clínico. Uma pessoa pode ter excelente acabamento em cães tranquilos e ainda estar construindo experiência com animais reativos ou com necessidades específicas. Isso não é necessariamente um problema, desde que a empresa saiba contratar para a realidade que consegue acompanhar.

Também vale perguntar como o profissional recebe feedback. Na rotina de um pet shop, ajustes fazem parte do trabalho: padrão de acabamento, tempo de agenda, comunicação com a recepção e forma de registrar ocorrências podem precisar de alinhamento mesmo quando a técnica é boa.

Como organizar um teste prático com responsabilidade

O teste prático pode ajudar a observar o trabalho, mas precisa ter objetivo e condições claras. Antes de marcar, explique qual habilidade será avaliada, quanto tempo a atividade deve durar, quem acompanhará o atendimento e quais critérios serão considerados.

O animal escolhido deve ser compatível com a proposta e estar sob condições adequadas de segurança, com autorização do tutor. O candidato também precisa saber que o procedimento pode ser interrompido se houver risco ou sinais relevantes de estresse. O objetivo é observar a atuação profissional, não pressionar alguém a concluir um resultado visual a qualquer custo.

As condições do teste e eventual prestação de trabalho precisam ser avaliadas conforme a situação concreta e a legislação aplicável. Se o candidato realizar uma atividade produtiva, seguindo horários e orientações do estabelecimento, a empresa deve evitar improvisos e buscar orientação trabalhista para definir a forma correta de contratação e remuneração. O Ministério do Trabalho orienta que o contrato de experiência seja formalizado por escrito e tenha duração máxima de 90 dias; a formalização do contrato de trabalho também deve ocorrer antes do início das atividades quando houver relação de emprego.

Durante a atividade, observe o conjunto do atendimento: como o profissional aborda o animal, prepara a bancada, confere os materiais, faz contenção quando necessária, mantém a higiene, organiza o espaço e comunica suas decisões. A técnica de acabamento importa, mas não deve esconder uma condução insegura ou uma rotina desorganizada.

O que observar no dia a dia

O trabalho de um tosador envolve muito mais do que a etapa final da tosa. Uma contratação bem avaliada considera a maneira como o profissional:

  • identifica sinais de medo, dor, cansaço ou estresse;
  • adapta o procedimento quando o animal não tolera a abordagem inicial;
  • mantém ferramentas, superfícies e materiais em condições adequadas de higiene;
  • registra e comunica ocorrências sem minimizar o problema;
  • explica ao tutor o que foi possível fazer e quais limites foram encontrados;
  • pede ajuda quando a situação ultrapassa sua experiência;
  • trabalha dentro do ritmo da agenda sem transformar velocidade em prioridade absoluta.

As diretrizes do CFMV para estabelecimentos que realizam atividades de exposição, manutenção, higiene e estética de animais reforçam a importância de condições adequadas de manejo, higiene, segurança e bem-estar. Para o recrutador, isso se traduz em uma pergunta prática: o candidato consegue entregar um bom serviço sem colocar o animal, a equipe ou o negócio em risco?

A proposta precisa ser tão clara quanto a entrevista

Mesmo um processo seletivo bem conduzido pode terminar em uma contratação ruim se a proposta esconder informações importantes. Antes do aceite, deixe claro o formato da contratação, a jornada, a escala, o salário fixo ou valor mínimo, a existência de comissão, os critérios de cálculo e a data de pagamento.

Também explique quem fornece ferramentas e produtos, como funciona a manutenção dos equipamentos, o que acontece em caso de cancelamento ou retrabalho e qual é a expectativa de volume de atendimentos. Se houver período de adaptação, descreva como ele será acompanhado e quando haverá uma conversa de retorno.

Uma proposta como “você pode ganhar até R$ 5 mil” diz pouco sem informar quantos atendimentos seriam necessários, qual é a parcela fixa e como a comissão é calculada. Já uma proposta que apresenta a composição da remuneração permite que o profissional avalie se a oportunidade faz sentido e reduz frustrações depois da contratação.

Sinais de atenção durante a seleção

Alguns comportamentos merecem investigação, mesmo quando o portfólio é forte. Desconfie de respostas que atribuem todo animal agitado a “falta de obediência”, tratam limpeza e organização como tarefas menores ou demonstram resistência em pedir ajuda. Também é um sinal de atenção quando o candidato não consegue explicar o próprio trabalho, promete o mesmo resultado para qualquer pelagem ou fala de clientes e colegas sempre como culpados pelos problemas.

Isso não significa eliminar alguém por uma resposta isolada. O melhor caminho é pedir exemplos concretos e observar se existe abertura para aprender, reconhecer limites e seguir protocolos.

Checklist para decidir com mais segurança

Antes de fazer a proposta, confirme se você consegue responder “sim” para a maior parte destas perguntas:

  • A vaga descreve a rotina real do estabelecimento?
  • O portfólio foi discutido com contexto, e não apenas visualmente?
  • O candidato explicou como lida com medo, estresse e imprevistos?
  • Está claro o que ele executa sozinho e o que exige apoio?
  • O teste, se houver, tem objetivo, duração, supervisão e critérios definidos?
  • A segurança e o bem-estar do animal vêm antes do acabamento ou da velocidade?
  • A comunicação com tutor, recepção e equipe veterinária foi avaliada?
  • A proposta informa jornada, escala, remuneração e forma de pagamento?
  • Ferramentas, produtos, manutenção e responsabilidades estão combinados?
  • Existe um responsável por acompanhar a adaptação do profissional?

Contratar bem não é encontrar o tosador que parece perfeito em uma foto. É entender a rotina que o negócio precisa, observar como o profissional decide diante de situações reais e construir uma proposta compatível com o trabalho esperado. Quando esses três pontos estão alinhados, a seleção fica mais justa para a empresa, para o candidato e para os animais atendidos.

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Fontes e referências

Nota editorial: orientações sobre contratação, teste prático e vínculo de trabalho devem ser revisadas conforme o caso concreto e a legislação vigente.

Recrutadora do setor pet atendendo no balcão de uma clínica

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